31 de janeiro de 2012

Que sociedade é essa?

Ponto de Vista

Por: Jailson Uriel Zanini

Do latim: societas, que significa "associação amistosa com outros", mas faz-se necessário perguntar: que relação é essa, na qual ninguém se permite apreender com o outro? Ao passarmos um olhar pelo cotidiano, podemos perceber uma mutação entre a “associação amistosa” e o individualismo, cujo destino é a distanásia.

Para entender esse ambiente inóspito, devemos refletir nossas ações e condições. Reflitamos, pois alguns comportamentos “estranhos”. Ouço com frequência pessoas orgulhosas pelo fato de se considerarem metódicas, mas o que é ser metódico? Cumprir prazos? Metas? Ser organizado? Não sabemos! Tudo isso de fato pode ser considerado altamente positivo. O desprezível é desejar que todos sejam nossa imagem e semelhança. Frequentemente, escutamos homens e mulheres “bem sucedidos” lamentando por um vazio existencial. Entretanto, não conseguem preencher esse espaço com solidariedade por total falta de capacidade de se reconhecerem como humanos. 

Nunca se viu na história tantas filas em consultórios de psiquiatria e psicanálise. Filmes, séries de televisão, livros são dedicados a ajudar os homens do nosso tempo a se encontrarem, mas esse movimento é possível? Verdadeiramente queremos conhecer os demônios que fizeram tendas em nossas vidas?


Talvez reconhecer que a morte exista, que não somos eternos, nos ajude a viver de forma mais valorosa. Quantos de nós suportamos horas a fio conversas fiadas, porém, não suportamos minutos com aqueles que nos amam – todavia lamentamos depois. Quantas vezes passamos horas mergulhados nas redes sociais em conversas vazias e não falamos bom-dia ao vizinho (talvez porque ele seja mais pobre ou mais rico do que nós? Não sei!). Que apontar das vezes que destratamos um atendente por que cremos dogmaticamente no nosso dinheiro e afirmamos categoricamente que, se pagamos, é lógico que podemos?

Poderíamos fazer dessas linhas um lugar para destacar todas as mazelas cotidianas, a mediocridade de crer que todos são inferiores a nós, nossa crença absurda que a roda da vida é de nossa jurisdição. O humano tornou-se a criatura mais perigosa para a raça humana. Matamos, lutamos, guerreamos, somos mal humorados, somos deuses dos outros e coadjuvantes de nossas existências. Será que já percebemos o quanto somos “chatos”? Que muitos estão de nosso lado por uma única razão, a obrigação?! Triste não percebermos que nossa presença em diversos lugares apenas azeda o ambiente!

É preciso, portanto, considerar em todas as circunstâncias da vida o equilíbrio – já é sabido que as aparências fragilizam-se com o tempo, a essência não – por isso, a serenidade faz um bem sem precedentes! Desviar os olhos do umbigo ajuda a enxergarmos o que a por vir ainda. 

E o fim pode estar aí...



Fonte: Jornal de Londrina


DATA DA PUBLICAÇÃO: 31/01/2012

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